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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Como ensinar futebol

Resumo

Este artigo tem o objetivo de discutir uma proposta de sistematização do processo de ensino-aprendizagem no futebol, tendo como ponto de partida as experiências realizadas na escolinha de futebol da FEF-Unicamp.
Palavras chave: futebol; ensino; processo de ensino-aprendizagem.


Alcides Scaglia *

Introdução

Em minha monografia de final do curso de bacharelado em Educação Física em 1995, relatei as experiências realizadas na escolinha de futebol da FEF-Unicamp. Este relato foi publicado pela revista Motriz, organizada pela Faculdade de Educação Física da Unesp - Rio Claro[1] e, posteriormente, transformou-se em um dos capítulos do livro 'Pedagogia dos esportes', publicado pela editora Papirus e organizado pela professora doutora Vilma Nista Picollo. Vale destacar ainda que este projeto ultrapassou os limites da universidade e foi aplicado com enorme sucesso no Grêmio Recreativo, clube da cidade de Rio Claro - SP[2]. A escolinha de futebol da FEF-Unicamp foi um projeto idealizado, orientado e coordenado pelo profesor doutor João Batista Freire, em que se deu início à elaboração de uma pedagogia que procura ensinar as crianças a jogar futebol através de brincadeiras resgatadas da cultura infantil e adaptadas. Mas, antes de nos aprofundarmos nos métodos desenvolvidos é preciso observar alguns princípios pedagógicos que regeram todo o trabalho. Dividimos os princípios em três conjuntos: - O primeiro conjunto de princípios está ligado aos atributos que regem um processo de ensino aprendizagem coerente e adequado, ou seja, o futebol entendido em seu processo e não como um produto; um trabalho que não tenha como finalidade a descoberta de talentos; a não cobrança de resultados e a não preocupação com a formação de equipes invencíveis, como fator relevante e avaliador do trabalho desenvolvido. Gerar uma organização para que o aluno pegue mais vezes na bola, ou seja, tenha muito contato com a bola durante a aula, buscando, evitar as grandes filas de espera da vez de jogar; possibilitar oportunidades diferenciadas para que eles saibam se auto-organizar; estimular a construção de regras estabelecidas por eles mesmos, ou seja, os alunos serem regidos por suas regras, elaboradas à medida das necessidades durante a aula. O segundo conjunto de princípios procura se ater na determinação das características relevantes específicas de uma metodologia de trabalho. Portanto, preocupa-se com: - a organização das turmas, de maneira adequada à faixa etária e nível de desenvolvimento; a divisão das turmas, de forma a possibilitar um desenvolvimento harmônico e global das crianças, atentando-se sempre aos seus aspectos cognitivos, afetivos (sociais), sensitivos e motores; aumentar gradativamente as situações propostas aos alunos, ou seja, brincadeiras oferecidas às crianças devem ser alteradas em função do nível de dificuldade; possibilitar que as crianças pensem sua própria ação, pois, pensá-las proporciona a assimilação e desenvolve o seu conhecimento crítico; não realizar atividades, que se resumem na prática pela prática, com explicações é possível situar o aluno no contexto em que a atividade é executada. O aluno, inserido neste processo, compreende o seu fazer, atuando como um agente criador e transformador de seu conhecimento. Já o terceiro conjunto de princípios determina a importância de se considerar como bagagem a cultura motora que a criança já traz consigo. Um dos instrumentos adotados para aprendizagem mais significativa no futebol é a utilização desta cultura infantil. Para isso, procura-se sempre resgatá-la, adaptando brincadeiras infantis, adequando-as aos componentes do futebol. Possibilitar uma certa liberdade de expressão no transcorrer do processo de ensino-aprendizagem do futebol. Outras preocupações pedagógicas, que geram diferentes procedimentos metodológicos, são assumidas no tocante as medidas dos campos, redução do tamanho dos gols, peso das bolas, número de jogadores durante os jogos, competições especiais, regras adaptadas... 'As posições por nós sustentadas conduzem à idéia de que, no ensino do futebol, deve propor-se ao principiante um jogo acessível, isto é, com regras ajustadas, com números de jogadores e espaços adequados, de modo a permitir a continuidade das ações, o domínio perceptivo do espaço, uma freqüente participação dos jogadores e variadas possibilidades de finalização'[3] Portanto, procuramos criar situações onde adequamos os jogos à realidade possível dos alunos. Estas situações se concretizam, por exemplo, na diminuição do tamanho do campo, ficando bola e alunos mais próximos em menor espaço; diminui-se o números de jogadores para que durante o jogo estes possam entrar em contato mais vezes com a bola; o gol é reduzido a um tamanho proporcional ao das crianças; o peso da bola dever ser menor nos iniciantes e ganhar peso conforme os alunos adquirem idade; as competições não se preocupam com o resultado em si, mas sim com a motivação dos alunos, sendo, portanto, campeonatos especiais que visam oferecer oportunidade à todos os alunos de participarem. Estas competições podem assumir um ar de gincana, onde além do jogo principal, que assume determinado número de pontos, outras atividades, já realizadas em aulas, podem ser utilizadas para acrescentar pontos à disputa. Com isto, mais alunos podem participar do contexto competição, sem a sua 'sobrecarga negativa' [4]. Não podemos deixar de destacar a importância de uma boa relação professor-aluno para o desenvolvimento de todos estes princípios, pois o educador deve proporcionar ao aluno o aprendizado de um conhecimento que, segundo Snyders, traduz-se na busca da alegria. Para que esta relação proporcione alegria é necessário que seja vivida com gravidade e profundidade, ou seja, com amor e dedicação, pois o professor não se encontra à parte, sentado em sua nuvem; ele revive os sentimentos e as aspirações dos alunos como se fossem as dele.[5] O universo da aula Para o desenvolvimento das aulas os professores tem à sua disposição, bolas de diferentes pesos e tamanhos, bolas de borracha, arcos, cones, cordas, e também alguns materiais que são confeccionados pelos próprios alunos, como: bolas de meia de vários tamanhos, alvos de latas, cones de refrigerantes descartáveis, entre outros que surgem da criatividade dos professores e alunos. Adentrando-se no seu universo, nota-se que este se dividi em 5 partes:

* Conversa inicial;
* Exploração do tema, através da ludicidade;
* Exploração do tema, por meio de um jogo-adaptado;
* Síntese do tema, com um jogo formal;
* Conversa final.

A aula sempre começa e termina com uma conversa, onde, no começo, estimula-se o aluno a recordar o tema e as atividades da aula anterior, para depois explicar o tema da aula atual, possibilitando que o aluno perceba, buscando uma conscientização da seqüência de seu aprendizado. A conversa final gira em torno dos acontecimentos da aula, desenvolvimento das brincadeiras e possíveis problemas que possam ter surgido no transcorrer da mesma, como por exemplo uma briga, uma falta, etc. Mas nada impede que no meio da aula, frente a um problema ou dúvida, o professor reúna os alunos para maiores explicações. A exploração do tema, através do lúdico, é o momento onde o aluno tem a oportunidade de descoberta, de criação em cima da temática da aula, ou seja, através de uma brincadeira adaptada, a criança usa de seu repertório motor para aprender, desenvolver, criar, descobrir um novo movimento que será utilizado na prática do futebol. Por exemplo, a brincadeira de 'mãe da rua', realizada com a bola nos pés, estará permitindo que o aluno desenvolva uma habilidade específica do futebol, a condução de bola, de uma forma mais alegre, mais livre. Já a exploração do tema através do jogo adaptado, nada mais é do que se criar condições dentro de um jogo, que possibilite a execução da habilidade do futebol, tema da aula, de forma mais próxima à exigida numa situação real de jogo. Para uma melhor compreensão reportamo-nos às palavras de Garganta: 'As estratégias mais adequadas para ensinar os jogos desportivos coletivos passam por interessar o praticante, recorrendo a formas jogadas motivantes, implicando-o em situações problema que contenham as características fundamentais do jogo.'[6] Para ilustrar nossas idéias, utilizemo-nos por exemplo, como tema de aula, a condução. Para desenvolvê-lo trabalhamos com um jogo de marcação individual, onde é determinado que um aluno só poderá desarmar, tirar a bola de um único outro aluno; com isso, estamos criando possibilidades dentro do jogo para o aluno conduzir mais a bola numa situação real. Muitas vezes o marcador pode estar desatento, ou encontrar-se distante, o que permite que o aluno conduza a bola para mais perto do objetivo concreto do jogo, o gol. Através desta ilustração, temos uma situação criada para estimular a utilização de um fundamento específico, sem descaracterizar o jogo e o próprio fundamento, ou seja, o tema da aula está sendo trabalhado numa visão de todo, e não fragmentando suas partes para o aprimoramento técnico, descontextualizado até da motivação dos praticantes. O jogo, propriamente dito, é o momento onde o aluno se utiliza de tudo o que foi aprendido na aula, somado ao seus conhecimentos já assimilados e os aplicam numa situação formal de prática do jogo de futebol. Portanto, constitui-se numa oportunidade de síntese do tema e por conseqüência avaliação da aula. É neste momento de jogo que a criança extravasa as suas vontades, liberta suas fantasias, seus inocentes desejos...,e demonstra, pelo seu comportamento, a assimilação do que foi proposto. Como pode-se notar, todo o desenvolvimento da aula gira em torno de temas, que são determinados segundo uma sistematização prévia dos conteúdos do futebol, adequada para os diferentes grupos etários.[7] Esta sistematização dos conteúdos do futebol estrutura-se em três partes:

1 - Fundamentos básicos;
2 - Fundamentos derivados;
3 - Fundamentos táticos específicos.

Os fundamentos básicos são aqueles principais, que caracterizam o jogo. Sem eles, o jogo não acontece e com um bom domínio deles, uma base sólida é construída para alicerçar todo um aprendizado posterior:

* Passe;
* Domínio de bola;
* Condução;
* Drible;
* Chute;
* Desarme;
* Cabeceio.

Os fundamentos derivados são, como o próprio nome diz, provenientes dos fundamentos básico, ou seja, faz-se necessário adquirir um certo domínio do primeiro para se ter um bom aprendizado e desenvolvimento do segundo. Por exemplo, o lançamento caracteriza-se como um passe longo, portanto, primeiro é preciso dominar o fundamento passe, para depois conseguir realizar um bom lançamento, ou melhor, compreendê-lo enquanto necessidade eminente numa determinada situação do jogo. São eles:

* Cruzamentos;
* Cobranças de faltas;
* Cobranças de pênaltis;
* Lançamentos;
* Tabelinhas;

Os fundamentos táticos específicos, nada mais são que as posições táticas do jogadores, suas funções e características próprias que as distinguem, bem como as estratégias mais utilizadas atualmente. Para aqueles que são leigos as posições táticas dos jogadores do futebol, deve-se entender que : o goleiro é aquele, onde, através do uso de todo o seu corpo, inclusive as mãos, tem por função impedir que a bola entre no gol; os laterais são os jogadores defensivos que jogam pelas laterais do campo; os alas atuam na mesma posição que os laterais, só se diferem pelas características ofensivas que assumem no decorrer do jogo; zagueiros são os jogadores defensivos que se posicionam mais ao centro da retaguarda; o líbero é o jogador que na maioria das vezes se posiciona como o último homem defensivo, mas que em determinados momentos do jogo aparece como um elemento surpresa no ataque; médio-volante é o jogador que atua no meio campo e que tem por função desarmar as jogadas do time adversário bem como cobrir o apoio da defesa; os meio-campistas são os jogadores que têm por função armar as jogadas ofensivas do time, mas, atualmente, também ajudam na marcação; os atacantes são aqueles que tem por objetivo marcar os gols, tendo apenas características ofensivas; os ponteiros são atacantes que atuam pelas pontas. As estratégias são os esquemas táticos adotados pelos treinadores, como por exemplo o 4-3-3, que nada mais é do que 4 jogadores na defesa, 3 jogadores no meio campo e 3 jogadores no ataque. Logo, eram as posições e os sistemas táticos que proporcionavam temas geradores para a organização das aulas:

* Goleiro;
* Laterais;
* Alas;
* Zagueiros;
* Líberos;
* Médio volantes;
* Meio campistas;
* Atacantes;
* Táticas/estratégia

Estes fundamentos, conteúdos de ensino, são divididos e organizados em uma seqüência pedagógica, atenta às diferentes faixas etárias.[8] Os fundamentos básicos do futebol começam a ser trabalhados aos sete anos, mas seu aprendizado não tem um fim em si mesmo, ou seja, tornam-se meios para a aquisição e ampliação do vocabulário motor das crianças. A ênfase do trabalho, nesta faixa etária, paira sobre a exploração das habilidades motoras. Faz-se de fundamental importância, não somente nesta idade, mas em todas, a aquisição de um considerável acervo motor, para que a criança tenha a possibilidade de realizar vários movimentos, tendo um controle sobre eles, em variadas situações e não em uma especificamente. Em cada aula são trabalhados dois temas básicos (fundamentos), um retomando a aula anterior. E também, não podemos perder de vista a idéia do todo, utilizamos os dois temas não para fragmentar o todo, mas simplesmente para direcionar e organizar a aula, como já discutimos anteriormente. Já aos 9/10 anos estes fundamentos básicos começam a tomar características de fim, com isso uma ênfase maior é dada para a execução destes, o que não ocorria em idades menores. É momento de concretizar a assimilação dos fundamentos básico. Seguindo uma seqüência pedagógica preestabelecida, procura-se desenvolver os fundamentos básicos do futebol, ou seja, têm-se uma maior preocupação com o aprimoramento e desenvolvimento destes, que alicerçados ao acervo motor adquirido, possibilitam a construção das características básicas para o futebol. Também dois temas são trabalhados por aula, somente que, neste momento o desenvolvimento das habilidades motoras se dá integrado aos fundamentos enfatizados na aula, ou seja, começa-se o aprendizado e desenvolvimento de habilidades que são mais especificas para o futebol. Nota-se uma grande preocupação em sempre retomar o tema da aula anterior na subsequente, em todas as turmas, para que o conteúdo seja desenvolvido de forma espiralada. É aos 11/12 anos, com uma base sólida construída e uma bagagem motora desenvolvida, a preocupação se volta para o aprimoramento e desenvolvimento dos fundamentos derivados. Na etapa anterior foi-se trabalhado os fundamentos mais simples, básicos, para que se pudesse nessa se desenvolver os fundamentos que se constituem como secundários, derivados dos básicos. Por exemplo, temos o lançamento, que nada mais é que um passe longo, ou seja, uma forma específica de passe, portanto, se a criança tiver aprendido bem o passe ela poderá desenvolver, de forma mais natural o lançamento. O mesmo acontece com a cobrança de falta que é forma específica de chute. Não se faz interessante para qualquer processo de ensino-aprendizagem que se parta do complexo (lançamento) para o simples (passe), pois, seria como ensinar primeiro uma criança correr para depois ensiná-la a andar[9]. Aos 13/14 anos a ênfase é dada para o aprendizado do posicionamento tático/estratégico e das posições dos jogadores durante o jogo. Depois de adquirida toda uma bagagem motora e dos fundamentos, é chegado o momento de se localizar dentro do contexto do jogo, aprendendo a usar cada fundamento de acordo com as exigências de cada posição. Os temas das aulas são as posições dos jogadores no jogo. Cada jogador desempenha uma função específica dentro do contexto global do jogo. Com isso, em uma aula onde o seu tema é 'laterais', as funções dos laterais devem ser ensinadas para os alunos, desde o local onde eles jogam até a suas funções dentro do desenvolvimento dos esquemas táticos mais utilizados atualmente pelo futebol moderno. Portanto, na aula de 'laterais' serão trabalhados os fundamentos que são mais utilizados pelos jogadores desta posição durante o jogo, ou seja, cada posição delega funções ao jogador, e este, para cumpri-las, se vale mais de alguns fundamentos do que de outros, por exemplo, os laterais se utilizam mais da condução de bola, cruzamento e desarme; não obstante, sabe-se que o jogador se valerá de todos os fundamentos durante uma partida de futebol. Depois de contextulizadas todas as posições e suas funções, com os alunos vivenciado todas, eles terão a oportunidade de escolher em qual posição pretendem jogar, segundo o seu gosto e seu desempenho em cada uma, acabando assim, com a determinação e imposição das posições segundo critérios físicos, pois é muito comum uma certa imposição ao aluno para que este jogue em determinada posição de acordo com seus atributos físicos: se é grande, deve ser goleiro ou zagueiro, se é baixo e rápido deve ser ponteiro etc. Isto impede o aluno de vivenciar as outras posições e também de escolher qual gosta mais. Não se quer aqui negar que cada posição tem suas peculiaridades, que podem exigir determinadas qualidades físicas para um melhor desempenho na mesma, mas sim, está se querendo dar a oportunidade de escolha a cada aluno, pois nem todos virão a se especializar no futebol e com isso, nada impede que um aluno baixo e rápido venha desempenhar as funções de um zagueiro, se é esta a posição que ele mais gosta de jogar. Após se ter percorrido todo este caminho e o aluno ter adquirido toda esta bagagem motora e técnica, ele terá a oportunidade, a liberdade e a possibilidade de se especializar no futebol. Ao final do processo de ensino-aprendizagem o aluno tem o livre arbítrio para escolher qual o caminho a seguir, se o do esporte (futebol) performance, ou esporte (futebol) participação, tendo por base o esporte (futebol) educação vivenciado, aprendido e desenvolvido na 'escolinha de futebol'. Esporte participação porque possibilitou a aprendizagem do futebol para todos, em todos os níveis; esporte educação, pois acreditou e oportunizou a transmissão de valores educativos através do futebol; esporte performance porque, após percorrido todo o processo de ensino-aprendizagem, tem-se a possibilidade de buscar uma especialização que levará o aluno ao encalço do alto rendimento, pois não se pode negar esta oportunidade aos que se dedicam e se sobressaem.[10]

Considerações finais

Ao final, nota-se que o trabalho em uma escola de futebol procura visar especificamente, além do desenvolvimento e aprendizado da modalidade esportiva em questão, a aquisição de hábitos e condutas motoras (ampliando-se o repertório motor) e o entendimento do esporte como um fator cultural (humano), estimulando sentimentos de solidariedade, cooperação, autonomia e criatividade, salvaguardando-se a orientação por profissionais qualificados, e não se preocupando com o resultado imediato, deixando este momento para posteridade, quando se dará início a formação de atletas, através de treinamentos mais específicos. Portanto, a iniciação esportiva necessita ser, na teoria e prática, um exercício humanamente criador e responsável, que, regido por uma pedagogia própria, transmita muito mais que o aprendizado de gestos técnico-esportivos. Valores éticos, sociais e morais devem ser ensinados através das várias possibilidades que o conceito de esporte abrange, para que se possa fazer do educando um ser agente e transformador do seu tempo, preocupado com uma cidadania que lhe permita viver bem em qualquer que seja o caminho do esporte escolhido por ele a seguir.[11] Faz-se imprescindível que no universo de abrangência das escolas de futebol, tenha-se espaço para a Educação, a Pedagogia, a Iniciação, a Competição e o Futebol, pois, é através de trabalhos práticos respaldados por teorias aplicadas, que podem vir a confirmar a importância deste esporte global. Mas, cientes dos limites, procurou-se, no transcorrer do texto, apresentar um estudo que ultrapassou os limites das bibliotecas e ganhou vida, contribuindo para a construção de uma pedagogia de esporte, e, também, possibilitar um momento de reflexão a todos os profissionais envolvidos direta ou indiretamente com a iniciação esportiva e em especial com o ensino do futebol.

Notas

[1] SCAGLIA, A. J. 'Escolinha de futebol: uma questão pedagógica'. Motriz. Revista de Educação Física - UNESP - Rio Claro, v.2, n.1, p. 36-42, 1996.
[2] Isto pode ser conferido no livro organizado pela Prof. Dra. Vilma Nista Piccolo, intitulado 'Pedagogia dos esportes', onde um dos capítulos é destinado ao relato destas experiências. NISTA PICCOLO, V. op. cit., 1999.
[3] Júlio GARGANTA e Jorge PINTO, 'O ensino do futebol', p. 133, 1995.
[4] Sobrecarga negativa deve se entendida como por exemplo, um erro do aluno no jogo, determinando a derrota do seu time, acarretando um problema interior e exterior para esse; mas com a realização de um certo número de atividades que também valem pontos a expressão do erro é diluída, pois, talvez mesmo perdendo o jogo o time pode vencer em número de pontos.
[5] Georges SNYDERS, 'Alunos felizes', p. 87, 1993.
[6] Júlio Garganta, 'Para uma teoria dos jogos desportivos coletivos', p. 18, 1995.
[7] Este estudo de sistematização dos fundamentos do futebol foi elaborado sob a supervisão e orientação do Prof. Dr. João Batista Freire, em trabalho realizado junto a escolinha de futebol da Faculdade de Educação Física da UNICAMP.
[8] Alcides José SCAGLIA, 'Escolinha de futebol: uma questão pedagógica', p. 40,1996.
[9] Vale destacar que, a todo momento, os fundamentos básicos são consolidados; a criança não deixa de lado o passe, o drible, o desarme, para especializar-se no lançamento, cruzamento... Com o amadurecimento físico e cognitivo o aluno tem a possibilidade de compreender melhor o jogo e, assim, otimizar a utilização desses fundamentos essenciais ao jogo.
[10] Alcides José SCAGLIA, op. cit., p. 41, 1996.
[11] Alcides José SCAGLIA, 'Escolas de esportes: uma questão pedagógica'. Campinas, 1995. Monografia (de final de curso) - Faculdade de Educação Física, UNICAMP, p. 89, 1995.

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